Antonio Carlos Valente. Foto: Baguete.

Líder no mercado de telefonia móvel no Brasil, a Vivo não esconde que está de olho no segmento de cidades inteligentes e serviços agregados à sua infraestrutura para impulsionar seu crescimento nos próximos anos. 

Quem afirma isso é o próprio presidente da companhia, Antônio Carlos Valente, que palestrou em evento da Federasul nesta quarta-feira, 03. Segundo o executivo, a companhia está caminhando para um futuro de valor agregado à oferta de conectividade.

"Em um futuro não muito distante, vamos chegar a um ponto em que as infraestruturas de todas as empresas chegarão a patamares semelhantes. Atualmente ocupamos uma posição de liderança em telecom, mas para manter isso no futuro teremos que investir em fidelização", avalia.

Além de smart cities, esta expansão de serviços da Vivo também abrange serviços de pagamento (Zuum), nuvem corporativa e carros conectados (Sascar), entre outras iniciativas.

De acordo com Valente, as cidades inteligentes e as comunicações máquina-a-máquina serão alguns dos mercados atacados pela operadora para competir em um futuro de infraestruturas a preços baixos e comoditizados.

Este ano a Vivo investiu em um projeto piloto no município de Águas de São Pedro, uma pequena cidade turística do interior paulista, na primeira cidade digital do país. A partir da modernização da infraestrutura de telecomunicações da cidade, soluções digitais foram criadas para auxiliar na educação, saúde, turismo e espaços públicos, além da oferta de altas velocidades de banda larga.

"Essa infraestrutura parte desde apps de informações da cidade até sistemas de sensores para iluminação inteligente e estacionamento público otimizado", explicou o presidente.

De acordo com o Valente, a experiência realizada no pequeno município paulista, de pouco mais de 2,7 mil habitantes, é a base para o lançamento futuro de produtos de cidade inteligente.

Isso não quer dizer que a Vivo seja pioneira no conceito de cidades digitais. Aliás, o termo foi desgastado nos últimos por projetos realizados por outras marcas. Outras empresas também fizeram laboratórios de cidades conectadas em municípios menores.

Um exemplo é o da D-Link, que levou em 2006 pontos de acesso à cidade de Santa Cecília do Pavão, no Paraná. O plano era otimizar serviços do município através de conectividade.

Entretanto, vale salientar que a Vivo, tanto do ponto de vista financeiro, como de cobertura, tem cartas muito mais valiosas em mãos para brigar nesse mercado.

A compra da GVT, realizada em setembro por US$ 9,3 bilhões, é uma das principais cartas na manga da operadora para esta investida. A empresa pretende aproveitar a rede e a experiência que a GVT possui em fibra óptica para desenvolver um novo projeto de cidade digital no estado de São Paulo.

Segundo o presidente da empresa, a operadora irá anunciar a localidade em 2015. A ideia é instalar uma rede de fibra na cidade escolhida para suportar os equipamentos.

"Nosso plano é já levar isso a uma escala industrial a partir do ano que vem", afirmou o presidente, que na ocasião estava acompanhado do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati. "Por enquanto, não temos nada fechado com a prefeitura de Porto Alegre, mas sabemos da abertura da cidade a este tipo de experiência", completou Valente.

A menção de Valente se refere ao projeto realizado pela prefeitura portoalegrense no ano passado, quando integrou o programa Smart Cities Challenge, da IBM. Pela iniciativa, seis funcionários da IBM ficaram alocados na prefeitura por três meses, atuando em sugestões de soluções que incluíram um sistema para simular impactos antes da tomada de decisões sobre obras e ações demandadas pelo Orçamento Participativo.

TENDÊNCIA
O conceito de cidades inteligentes ganha mais e mais tração a cada dia. Parte do que muitos chamam de Internet das Coisas, empresas de telecomunicação e de TI se preparam para ocupar este mercado nos próximos anos.

Segundo a consultoria norte-americana Markets and Markets, cidades inteligentes devem movimentar um total de R$ 1,24 trilhão até 2019. Marcas grandes como IBM, Cisco, Microsoft, assim como as telecoms, estão de olho.

Um exemplo é o da Cisco, que anunciou em julho a criação de um centro global de inovação dedicado à Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que será aberto em Barcelona.

A instalação, que terá 1,7 mil metros quadrados e receberá investimento de US$ 30 milhões, será uma plataforma de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e novas oportunidades de negócio relacionadas com a IoT aplicada às cidades inteligentes.

Sabendo da competição acirrada que o mercado guarda para o futuro, Valente afirma que o avanço deste segmento não será papel de uma ou duas empresas, e sim de um ecossistema integrado.

"Temos que trabalhar com a parte acadêmica, com fabricante de dispositivos, de softwares. No projeto em Águas de São Pedro tivemos a cooperação de empresas como Epson, Huawei, entre outras. Não é trabalho para um só", afirma o presidente.

Entretanto, esse povoamento de mercado levanta outras questões: uma delas é a definição de um padrão abrangente a todos estes dipositivos e aplicações - um dos principais desafios do setor de TI para os próximos anos.

Atentos à isso, fabricantes estão envolvidos em alianças para endereçar o assunto da Internet das Coisas, um mercado estimado em US$ 7,1 trilhões em 2020.

A Qualcomm, ao lado de nomes como LG, Panasonic, Qualcomm, Sharp, Cisco, D-Link e HTC, se juntou com a Fundação Linux, para a criação da AllSeen Alliance. Fundado no ano passado, o consórcio tem o propósito de formar um consórcio interindustrial para fomentar a adoção de um padrão único.