Giancarlo Stefanuto. Foto: divulgação

Começa a se dissipar a nuvem de dúvidas ao redor do Certics, certificado que foi lançado em junho deste ano, com promessa de dar vantagens competitivas às empresas detentoras nos editais do governo.

Em palestra em Porto Alegre na quarta-feira, 28, o coordenador técnico do Certics, Giancarlo Nuti Stefanuto, esclareceu pontos como, por exemplo, o exato benefício que terão as companhias: possibilidade de cobrar até 25% a mais do que empresas não certificadas e garantir, mesmo assim, a vitória em licitações.

Sobre os requisitos necessários para se tornar uma certificada, campo onde também residiam dúvidas, Stefanuto explica que é preciso, em primeiro lugar, ter operação no país e software próprio já comercializado.

Mas é preciso ser brasileira? Não, não é.

“Para se certificar, uma empresa precisa atender a quatro competências: tecnologia, gestão de negócios, desenvolvimento de software e melhorias de processos. Pode ser uma nacional ou uma multinacional, e não é obrigatório ter centro de P&D aqui, mas tem que ter aplicação da tecnologia desenvolvida, bem como profissionais que a dominem, na operação brasileira”, explica o coordenador.

Stefanuto também é colaborador da Fundação de Apoio ao Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (FACTI), de Campinas, instituição que criou a metodologia da certificação e sobre a qual também pairavam incertezas do mercado em relação ao papel no processo de concessão às empresas e entidades avaliadoras e certificadoras.

Além da instituição campinense, que é ligada ao MCTI, participou da criação da metodologia uma organização fundada por Assespro e Abine, que trabalha em parceria com o Renato Archer.

Sobre a atuação, Stefanuto esclarece: “O CTI Campinas é detentor da metodologia e cadastra as entidades avaliadoras”.

De julho para cá, a entidade lançou o dois editais para escolha das avaliadoras, dos quais resultaram cinco entidades já credenciadas: a gaúcha Softsul, Softex Recife, Fundação Vanzolini, CPqD e Riosoft.

Entre as consultorias, foi qualificada apenas a ProMove. Se candidataram mas estão pendentes de ajustes para poder atuar oficialmente a ASR, a Dharmatech, Estratégia Tecnologia da Informação, Incremental, QualityFocus, Software Process e SWQuality.

Para as avaliadoras, as duas principais exigências são ter pelo menos um case comprovado de atuação de colaborador como líder em um projeto de avaliação na área de qualidade e não ter qualquer pendência financeira, segundo Stefanuto.

Um terceiro edital será lançado, possivelmente, ainda em 2013.

De acordo com o coordenador, não há uma projeção de quantidade de entidades avaliadoras necessárias para o projeto.

“Isso vai variar de acordo com a demanda. Mapeamos um universo de duas mil empresas com potencial de se beneficiar com a certificação no país, e o critério para busca de entidades avaliadoras será a possibilidade de atendimento a toda esta gama”, comenta o gestor.

Depois de passar pelas avaliadoras, as empresas aprovadas terão certificação emitida pelo MCTI, por meio da Secretaria de Política da Informática (SEPIN).

No processo entre a avaliação e a certificação, entra novamente o CTI Renato Arches para garantir a ética do processo, garante Stefanuto.

“O CTI criou e mantém atualizada a metodologia Certics, além de monitorar a sua utilização e resultados”, destaca ele. “As avaliadoras firmam um contrato no que se comprometem a evitar o conflito de interesses, e são obrigadas a cadastrar cada passo dado na avaliação de cada empresa em um sistema online controlado pelo CTI”, completa.

Além disso, o relatório final de cada avaliação é conferido por dois gestores da instituição campinense.

Em caso de denúncias sobre irregularidades nas avaliações, um Comitê Recursal foi criado no CTI para fazer as averiguações.

“Se um problema for comprovado, o avaliador é descredenciado”, assegura Stefanuto.

Com as avaliadoras já definidas, o Certics se preparar para começar a receber as propostas de empresas interessadas no selo, o que acontecerá a partir da quinta-feira, 19.

Além das licitações, há a previsão de uso da certificação em outros mecanismos de fomento e de políticas públicas, como na concessão de crédito para investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, mas este ainda é um ponto pouco detalhado.