Entrada de bazar no Cairo. Foto: flickr.com/photos/pnp/

O governo do Egito assinou um acordo com a MasterCard que transformará as novas carteiras de identidades dos egípcios em cartões de débito conectados a uma plataforma de dinheiro móvel.

Anunciado nesta terça-feira, 03, durante o Mobile World Congress, em Barcelona, na Espanha, o acordo é um aprofundamento das relações entre a gigante de cartões de crédito e o país africano.

Em julho do ano passado, a MasterCard fechou uma cordo com o Banco Nacional do Egito e a Etisalat, um telco sediada em Abu Dhabi com forte presença no mundo árabe para colocar funções de pagamentos nos celulares.

Os clientes da Etisalat podiam ir a 405 agências da telco ou do banco para depositar dinheiro, convertido em crédito nos celulares.

Agora, o Egito está levando o acordo adiante, fazendo o que parece ser a primeira PPP para transformar um documento de identidade em um meio de pagamento. Salários e benefícios sociais também serão pagos eletronicamente por meio do cartão. 

Em nota, a MasterCard afirma que a novidade permitirá que 54 milhões de egípcios façam parte da economia formal. No lançamento, o sistema com a Etisalat tinha cerca de 200 mil usuários.

A estimativa é que 94% das transações financeiras no Egito são feitas com dinheiro. Só 35% dos 82 milhões de habitantes do país tem uma conta bancária. Por outro lado, 98% dos egípcios tem um celular.

Com o parlamento fechado desde 2013 na espera de eleições baseadas numa nova lei eleitoral ainda em elaboração, o presidente Abdel Fattah al-Sisi tem introduzido uma série de reformas econômicas visando modernizar o país.

Além da MasterCard, outros players de tecnologia estão atentos à oportunidade. Recentemente, a CEO da IBM, Virginia Rometty, esteve no país em reuniões com o próprio Sisi e ministros de diferentes áreas.

De concreto até o momento, a IBM tem um acordo com agência de desenvolvimento da indústria de TI do Egito para oferecer serviços de cloud computing para diversas empresas do país.

A digitalização de documentos de identidade emitidos pelo governo, com o potencial para acordos como o fechados no Egito, ainda engatinha no Brasil.

Lançado em 2010, durante o governo Lula, o Registro de Identidade Civil (RIC) foi saudada como o novo documento digital de identificação do brasileiro. 

A novidade consistia em um cartão com chip, contendo vários dados como nome, foto, data de nascimento, nome dos pais, dados do CPF, título de eleitor, uma nova numeração digital, entre outros dados.

Badalado na época, o projeto de um documento de identidade unificado para todas as unidades da federação ficou na promessa. Em 2011, os primeiros cartões do RIC chegaram a ser feitos, mas foi só.

Segundo informações divulgadas pelo governo no ano passado, o comitê criado para estudar o RIC afirma que ele deve sair. Mas a previsão não é das melhores: o prazo é de cinco anos.