O Hospital Sírio-Libanês demitiu Gabriela Munhoz após a divulgação de dados sigilosos. Foto: Divulgação.

O Hospital Sírio-Libanês demitiu a médica reumatologista Gabriela Munhoz, que compartilhou dados sigilosos sobre o estado de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia em um grupo de WhatsApp horas depois de sua internação.

A médica enviou mensagens pelo app para o grupo MED IX, que inclui formandos em medicina de 2009 na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. A médica relatou que Marisa estava internada no hospital após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico e que seria levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Depois da divulgação de Gabriela, as informações se espalharam em outros grupos de Whatsapp.

O Globo afirma que, a colegas, Gabriela alegou ter confirmado informações já divulgadas na mídia em um grupo restrito de médicos de sua confiança. Ela lamentou que os dados tenham sido compartilhados com outros grupos e disse não ter tido contato pessoal com o prontuário.

Em nota, a direção do Hospital Sírio-Libanês informou “ter uma política rígida relacionada a privacidade de pacientes” e repudiou a quebra do sigilo por profissionais de saúde.

De acordo com o Código de Ética Médica, é vedado ao médico “permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade”. 

Também não é permitido “liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa”, esta última em situação de sindicância ou processo ético-profissional.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo ainda afirma que quando há doentes “notáveis”, a informação para o público deve ocorrer por meio de boletim médico autorizado pelo paciente ou responsável.

Além do caso de Gabriela, o Cremesp já investiga o vazamento de imagem de um exame de tomografia da mesma paciente, realizado logo após o AVC, divulgado em redes sociais nos últimos dias.

A ex-primeira dama, esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve passar nesta sexta-feira, 3/2, por novos exames para que os médicos possam constatar se de fato houve morte cerebral.

O último boletim médico, divulgado às 10h25 de quinta-feira, 2, informa que Marisa não tem fluxo sanguíneo no cérebro. A ausência de circulação sanguínea no cérebro da primeira dama foi constatada após a realização de um exame doppler craniano. 

Depois do resultado, a família autorizou o início do procedimento para a doação de órgãos.