ACABOU O AMOR

Smartphones: caem as vendas no país

02/07/2015 13:30

Levantamento do IDC aponta uma desaceleração de 16% das vendas em maio e uma queda na projeção de vendas em 2015.

IDC aponta tempos difíceis para a venda de smartphones. Foto: divulgação.

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Acabou a lua de mel para o mercado de smartphones no Brasil. Pela primeira vez, o segmento registrou queda nos seus índices de venda no país.

O apontamento vem do estudo Mobile Phone Monthly Tracker, divulgado nesta quinta-feira pelo IDC. De acordo com o levantamento, o segmento de celulares inteligentes registrou cerca de 4,86 milhões de aparelhos comercializados, 1% a menos do que no mesmo mês de 2014.

Em maio, a queda foi de 16%, com 3,89 milhões de smartphones vendidos. Para o segundo trimestre, os números preliminares mostram que as vendas devem cair 12% na comparação com o mesmo período do ano passado.

"Prevíamos um crescimento de pelo menos 5%, mas agora trabalhamos com volume negativo. Isso é reflexo do momento econômico do Brasil. Em 2014, quando o mercado de smartphones estava forte, houve um aumento de 56% frente ao segundo trimestre de 2013", avalia Leonardo Munin, analista de pesquisas da IDC Brasil.

Os motivos desta desaceleração, mesmo contando com datas de alta para o comércio, como o Dia das Mães e do Dia dos Namorados, vem de fatores como a alta do dólar, que gerou repasses de preços ao consumidor.

De acordo com a consultoria, os aparelhos intermediários ficaram de R$ 30 a R$ 60 mais caros e os tops de linha tiveram aumento de R$ 100 a R$ 200, isso que o maior repasse pode ainda ser mais sentido no segundo semestre do ano.

Além disso, o poder de consumo e a confiança do brasileiro também colaboraram para o desempenho do mercado de smartphones. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 1,4% em junho e chegou a 83,9 pontos, segundo menor nível desde que o índice foi criado, em setembro de 2005.

Ainda de acordo com o estudo, os canais de varejo e de distribuição estão com estoque de produtos lotados. “É algo nunca visto no mercado de smartphones”, disse Munin.

As operadoras estão reduzindo o volume de compras de aparelhos e a maioria das fabricantes está reajustando os negócios e as projeções de venda frente a essa nova realidade do mercado brasileiro.

A IDC Brasil revisou para baixo as suas expectativas para este mercado em 2015. De uma previsão inicial de 63.5 milhões, caiu para próximo a 54 milhões de unidades.

De acordo com o analista, os fabricantes ainda tem uma oportunidade de vendas no público que ainda não migraram para os smartphones - a base de feature phones ainda compõe 45% do mercado - ou querem fazer um upgrade de um modelo de entrada para um mais robusto.

Entretanto, para as fabricantes, a briga pelo dinheiro do consumidor fica cada vez mais difícil. No último ano diversos players aumentaram suas investidas no país, como Positivo e Asus, assim como novas marcas anunciaram sua chegada no país para concorrer. Um exemplo é o da Xiaomi, potência chinesa que lançou seu primeiro celular no país esta semana.

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