MOBILIZAÇÃO

TI faz frente pelo Rio de Janeiro

02/05/2018 09:21

Empresas de TI de peso estão bancando programa de formação de mão de obra.

Empresas de TI planejam outra intervenção no Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

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Um grupo de empresas de tecnologia de peso com operações no Rio de Janeiro, somada a algumas ONGs e entidades importantes do estado, acaba de lançar a Coalizão Rio Digital, um esforço de formação de mão de obra nas regiões pobres da cidade.

A expectativa é que 8 mil jovens, entre 15 e 29 anos, sejam impactados diretamente no primeiro ano de operação, tendo acesso a formações gratuitas de 100 horas na área de tecnologia. Não foram dados maiores detalhes sobre o currículo.

Estão no barco multinacionais de TI como IBM, Microsoft, Cisco, Salesforce, Capgemini, Equinix e Schneider Electric, além de grandes companhias brasileiras como Embratel, Stefanini, TOTVS, Resource, BRQ e Dataprev.

Do lado das entidades, participam Abes Software, Assespro RJ, Brasscom, Fenainfo, Rio Soft e TI Rio. As ONGs envolvidas são Unesco, ONG Recode, Lide Rio de Janeiro, Instituto Coca-Cola, Instituto Federal do Rio de Janeiro, Observatório das Favelas e Fundação Roberto Marinho.

A ideia da Coalizão Rio Digital é estimular o voluntariado de colaboradores das empresas participantes para mentoria aos jovens, além da criação de um banco de currículos para facilitar a oferta de vagas em posições iniciais nas empresas participantes e outras que venham a ter interesse.

"Queremos ver nos jovens a possibilidade de almejarem um futuro melhor para suas vidas e suas famílias”, afirma o presidente executivo da Brasscom, Sergio Paulo Gallindo. "Só por meio de coalizões e trabalhos colaborativos é que se pode gerar grandes transformações na sociedade", agrega Rodrigo Baggio, presidente da ONG Recode.

A Recode deve ter um papel importante no processo. Antes conhecida como Comitê para Democratização da Informática, a ONG atua em projetos ligados ao mundo da tecnologia em comunidades carentes desde 1995, tendo começado justamente na favela carioca do Morro Santa Marta.

A mobilização do setor de TI acontece em um momento em que o Rio de Janeiro se encontra no fundo do poço, social e economicamente, sendo alvo de uma intervenção militar inédita no país para tentar controlar uma onda de violência.

Entre 2014 e 2017, o número de desempregados no Rio de Janeiro saltou de 494 mil para 1,2 milhão, uma alta de 157%, especialmente devido a demissões na indústria e na construção civil. É quase o dobro da média brasileira, que foi de 86,4% de crescimento do desemprego.

A situação afetou a área de TI. De acordo com dados da Brasscom, entre 2013 e 2018 (até fevereiro), o mercado de trabalho de software e serviços no município do Rio de Janeiro recuou 17,9%, não acompanhando a trajetória de recuperação do mesmo mercado em escala nacional que avançou 2,2%. 

Até fevereiro de 2018, foram gerados 13 mil postos de trabalho em software e serviços no Brasil, enquanto no município do Rio de Janeiro foram perdidos 9 mil. Se em 2013 o município do Rio de Janeiro concentrava 8,4% dos empregos de software e serviços do Brasil, em 2018 essa concentração recuou para 6,8%.

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