Analistas do Gartner entraram numa porta giratória para o mercado. Foto: flickr.com/photos/12859033@N00/

Dois especialistas com bastante tempo de casa deixaram o Gartner ao mesmo tempo, deixando em stand by o Quadrante Mágico de Data Center Backup e Recovery e causando uma grande confusão nesse segmento da indústria de TI.

Pushan Rinnen e Dave Russell, analistas com 25 e 13 anos de casa, respectivamente, saíram do Gartner para trabalhar em empresas do segmento que cobriam, deixando os concorrentes no segmento preocupados com a abertura de uma porta giratória entre o mundo dos analistas e o das empresas.

A Rubrik, uma startup de armazenagem na nuvem em alta, contratou os dois. Russell, que entrou no Gartner em 2005 vindo da unidade Tivoli da IBM, acabou passando um dia só na Rubrik, no entanto.

Sua contratação para a posição de VP e estrategista chefe foi anunciada na sexta-feira, 30. No final de semana, a concorrente Veeam fez uma proposta, levando o profissional a trocar de emprego.

Russell acabou assumindo como VP de Enterprise Strategy da Veeam, sendo responsável por dirigir a estratégia do produto e os programas de go to market.

Além do atraso no lançamento do Quadrante Mágico de 2018 para o setor, o Gartner deve agora enfrentar o temor de que os analistas contratados pela Rubrik e Veeam façam uso nas suas novas funções de informações sobre o roadmap do produto dos competidores às quais tiverem acesso no passado.

O Quadrante Mágico do Gartner divide 20 empresas de diversos segmentos em quatro áreas, com base no posicionamento nos vetores habilidade de entrega e perfeição da visão.  

Entrar no relatório, e, mais ainda, no cobiçado segmento de líderes, é um belo marketing para os participantes, motivos pelo qual as empresas não hesitam em abrir informações aos consultores do Gartner.

São analisados fatores como visão de negócios, a presença global, a carteira de clientes e o índice de satisfação, bem como a parte técnica da plataforma, casos de uso e funcionalidades.

O Gartner mandou uma carta aos seus clientes, à qual o site de TI britânico The Register teve acesso, dizendo que foram tomadas medidas para evitar que informação confidencial revelada aos analistas seja aproveitada pelos concorrentes.

A Rubrik disse ao Register que pessoas com acesso à informação sensível “trocam de emprego toda hora” mas que eles respondem a acordos de confidencialidades (NDAs, na sigla em inglês). A empresa disse que ela mesma seguirá abrindo informações para analistas “sem medo”.

Já os concorrentes não estão tão satisfeitos. O Register falou com diversos deles. Oussama El-Hilali, VP de Products na Arcserve, resumiu os sentimentos: “Essas movimentações colocam questões sobre quanta informação nós devemos abrir para analistas que podem estar trabalhando na concorrência amanhã”.

“Os analistas podem cumprir seus NDAs, mas é difícil de acreditar que a informação que eles agregaram não terá participação na influência dos novos empregadores daqui para frente”, aponta El-Hilali.