Governo quer mais de 4 milhões de pessoas no 4G até o fim do ano. Foto: divulgação.

A Claro anunciou nesta semana que já vendeu mais de 20 mil aparelhos 4G no país, entre smartphones, tablets e modems. Primeira a chegar no mercado de internet móvel de quarta geração, a operadora conquistou estes números em cerca de cinco meses, operando em doze cidades.

Na última terça-feira, 30, data final estabelecida pela Anatel para que as operadoras iniciassem seus serviços de quarta geração de internet nas sedes da Copa das Confederações, Vivo e TIM anunciaram suas operações 4G.

No entanto, com todas as operadoras em ação, ainda é um longo caminho para chegar à previsão da Anatel, que estimou que até o fim de 2013, cerca de 4 milhões de brasileiros já estarão usando 4G.

Para o ministro das comunicações Paulo Bernardo, a previsão é ainda mais otimista e deverá superar a previsão da agência reguladora.

"Todas as projeções que eu ouvi até agora são muito conservadoras. Eu vou apostar um jantar com o João Rezende (presidente da agência) que vai ser mais”, disse o ministro.

A Copa das Confederações será o primeiro grande teste para as redes 4G. No caso da Claro, algumas de suas redes ainda operam em frequencias limitadas. Já a Vivo, TIM e Oi liberaram seus espectros completos para a operação.

As cidades que começaram a oferecer o 4G precisam disponibilizar cobertura em pelo menos 50% da área urbana, e segundo Bernardo, a Anatel tem um sistema próprio de checagem da cobertura que está de olho.

As sedes da Copa das Confederações - Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Belo Horizonte - já contam todas com o serviço 4G das quatro operadoras - Oi só oficializou no Rio de Janeiro, mas as redes nas cidades que restam devem ser ativadas nos próximos dias.

Fora do circuito deste evento, Vivo e Claro lançaram o 4G em São Paulo, e a Claro também tem redes em Curitiba, Porto Alegre e “coberturas vitrine” em Paraty, Búzios e Campos do Jordão.

Até o final do ano as operadoras tem a obrigação de lançar o 4G nas capitais que sediarão a Copa do Mundo. Até o momento, Natal, Cuiabá e Manaus são as que não contam com nenhum serviço de quarta geração.

VAI ENGRENAR?

Mesmo com todas as vantagens que o 4G oferece, com velocidades até cem vezes superiores ao 3G, ainda existem dúvidas sobre o serviço.

Embora os usuários mais empolgados já pensam em uma possível migração, o aumento de velocidade pode esbarrar nas limitações dos pacotes. Segundo a Claro, os clientes precisam optar por pacotes superiores aos oferecidos no 3G para aproveitar a tecnologia.

O cálculo é simples: quanto maior a velocidade, maior o consumo da franquia de dados. No 4G, os pacotes preveem franquias de dados de 5GB no máximo nos smartphones e 5GB ou 10GB nos modems.

“Recomendamos que os clientes contratem pacotes superiores a 5GB, porque vai consumir mais pela própria velocidade”, afirmou o presidente da empresa, Carlos Zenteno.

No caso de streaming de vídeos em alta resolução, que é o caso de serviços como o Netflix, um pacote de dados de 5GB pode ser esgotado após a exibição de cinco ou seis filmes.

Depois disso, mesmo nos planos ilimitados, a velocidade é reduzida para o mínimo de 128kbps, formato semelhante ao 3G.

Além disso, os preços ainda não são muito populares. No caso da Claro, um aparelho de R$ 1,5 mil sai sem custos para os clientes que assinarem pacotes de dados mais turbinados, próximos dos R$ 400 por mês.

Mas se levarmos em consideração o aquecido mercado de smartphones, a meta dos 4 milhões no 4G até não parece tão improvável. Segundo dados do Ibope, em 2012 os brasileiros compraram 16 milhões de smartphones.

Para reforçar este objetivo, as operadoras planejam lançar nos próximos meses novos aparelhos com a tecnologia LTE, saindo da linha do alto padrão e disponibilizando modelos mais acessíveis, como o Nokia 820 e a linha Optimus F, da LG.