Samsung Galaxy 6 Edge. Foto: divulgação.

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Depois de perder destaque no mercado premium com o sucesso do iPhone 6, da Apple, e recentes quedas nas suas vendas de smartphones, a Samsung apresentou neste domingo, 1, suas novas armas para entrar de volta na briga de cachorro grande dos smartphones high-end: o Galaxy S6 e o S6 Edge.

Para quem viu de perto os novos lançamentos, apresentados no Mobile World Congress, em Barcelona, a mudança mais visível para a nota iteração do smartphone premium da empresa sul-coreana foi a composição física do produto: sai o plástico e entra o metal.

Segundo analistas, a decisão da companhia em adotar uma carcaça de alumínio pode ser o diferencial para o S6 ganhar competitividade em relação a outros aparelhos premium de rivais como LG, HTC, Xiaomi e a própria Apple, que usa o alumínio desde o iPhone 5.

"Nos últimos quatro anos, o carro-chefe da empresa apresentou os melhores displays e poderosos chips no mercado, mas tudo era embalado em carcaças baratas de plástico. Enquanto isso, outras marcas invadiram o mercado com lindos telefones feitos com materiais de alta qualidade", afirmou o jornalista Steve Kovach, do Business Insider.

Além da mudança no material que compõe o produto, a Samsung também fez mudanças sensíveis e pontuais no que vai dentro da carcaça dos novos aparelhos. Ambos os telefones virão com tela de 5,1 polegadas - a diferença é que o S6 Edge terá as extremidades de sua tela levemente arredondadas - uma mudança estética elogiada por analistas.

Na parte de processamento, ambos os smartphones contam com um novos processador Exynos 64-bit, com tecnologia de 14 nanômetros. A câmera traseira será de 16 megapixels, enquanto a dianteira será de 5 megapixels.

Os novos aparelhos virão em diversas opções de cores e três opções de armazenamento: 32GB, 64GB e 128GB. Os preços ainda não foram divulgados pela marca - a previsão de lançamento é para abril.

Mesmo com as novidades, nem tudo agradou os fãs da Samsung. Ao trocar a flexibilidade do plástico por uma carcaça de metal, a empresa teve que sacrificar recursos como a possibilidade de expansão de memória e a troca de bateria. A decisão fez diversos analistas torcerem o nariz.

"Então eles se livraram das baterias substituíveis, carcaças resistentes a água e SD cards que os fãs de Android amam, e trocaram funcionalidade por o tipo de design que os fãs de iPhone amam, na idéia equivocada que fãs do iPhone vão mudar para a Samsung", afirmou Kovach.

Observando os números do mercado, a estratégia da Samsung ao tentar seduzir os fãs da Apple e seus designs requintados tem justificativa. Segundo estudo divulgado pela ABI Research em janeiro, as vendas de Android tiveram um declínio de 5% do terceiro para o quarto trimestre de 2014, passando de 217,59 milhões de unidades fabricadas para 205,56 unidades.

Na concorrência direta, a Apple registrou um crescimento notável no mesmo período, impulsionado pelas vendas do iPhone 6. A companhia de Cupertino subiu de 39,27 milhões de unidades para 74,5 milhões de aparelhos produzidos, um aumento de 90%.

O foco no high-end também reflete outro problema que a Samsung vem enfrentando, principalmente nos mercados asiáticos, onde enfrenta a escalada acentuada da Xiaomi e lida com quedas de market share - somente no mercado chinês, um dos maiores da região, a empresa teve uma queda de 22% em 2014, ficando com uma fatia de 12%.

PAGAMENTOS
Outro ponto em que a Samsung mostrou novidades para competir com a Apple foi na parte de pagamentos eletrônicos. Em conjunto com o lançamento dos novos smartphones, a multinacional apresentou o Samsung Pay, sistema que acompanhará os S6 e deve ter seu início no segundo semestre.

Segundo especialistas, o Samsung Pay larga com algumas vantagens sobre o sistema da Apple, pois não necessita obrigatoriamente de terminais específicos de NFC para efetuar as transações.

"Isso significa que será muito mais fácil para os lojistas adotarem a plataforma de forma rápida", afirmou Lisa Eadicco, da Bloomberg.

A principal razão para esta compatibilidade facilitada foi a parceria estabelecida pelos sul-coreanos. A tecnologia usada pela Samsung Pay foi fornecida pela LoopPay, empresa adquirida pela fabricante em fevereiro.

Segundo a Samsung, o LoopPay já é suportado em cerca de 10 milhões de estabelecimentos nos Estados Unidos, um dos mais maduros no uso de NFC no mundo. Já o Apple Pay, que chegou a ter um crescimento rápido em seus primeiros meses, no final de 2014, não passa de 220 mil pontos de venda no país.