Brasileira é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo. Foto: divulgação.

A  Embraer, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, informou ao mercado que seus sistemas de TI sofreram um ataque hacker que resultou na divulgação de “dados supostamente atribuídos à companhia”.

Em fato relevante, a empresa disse que o ataque foi identificado na última quarta-feira, 25 de novembro, mas o vazamento de dados aconteceu na madrugada desta segunda-feira, 30. 

A invasão teria indisponibilizado o acesso a um único ambiente de arquivos da Embraer, que afirma ter iniciado os procedimentos de investigação e resposta ao evento, além de isolar alguns de seus sistemas para proteção do ambiente, o que gerou um impacto temporário em algumas operações.

Segundo o site Airway, especializado em aviação, esse impacto durou cerca de seis horas, período em que os funcionários ficaram sem acesso aos sistemas da empresa.

O jornal O Globo acrescentou que o ataque pode ter sido um ransomware. Fontes da publicação afirmaram que os hackers pediram um resgate à Embraer, que deveria ser pago em criptomoedas, o que dificulta a identicação dos receptores.

Sem confirmar nem dar maiores detalhes sobre o ataque, a Embraer informou que continua a operar com o uso de “alguns sistemas em regime de contingência”, sem impactos relevantes sobre suas atividades.

“A companhia está empreendendo todos os seus esforços para investigar as circunstâncias do ataque, avaliar se existem impactos sobre seus negócios e terceiros e determinar as medidas a serem tomadas”, afirmou a empresa na nota.

O ataque foi o primeiro do tipo divulgado pela companhia e chama atenção, pois o setor de aviação normalmente investe pesado em segurança da informação, pelas características do produto e o valor da propriedade intelectual envolvida.

Como toda grande fabricante aeronáutica, a Embraer tem em curso estudos sobre novas tecnologias e aeronaves sigilosas – como o novo turboélice comercial e o avião híbrido Stout.

A Embraer, inclusive, comprou recentemente o controle da Tempest, empresa pernambucana que está entre as maiores no setor de cibersegurança do Brasil.

A Tempest tem 300 funcionários em escritórios no Recife, São Paulo e Londres, atende mais de 300 clientes no Brasil, na América Latina e na Europa (a metade deles no setor financeiro, um dos que investe mais pesado em segurança).

Seu portfólio conta com 70 soluções, envolvendo consultorias, serviços gerenciados de segurança (MSS, na sigla em inglês), integração de softwares de segurança e soluções de proteção de identidade do usuário.

Fundada em 1969, a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e já entregou mais de 8 mil aeronaves. Em 2019, seu faturamento chegou a R$ 21,8 bilhões, um crescimento de 16% em comparação com o ano anterior.

A brasileira conta com mais de 18 mil empregados, com unidades industriais, escritórios e centros de distribuição de peças e serviços nas Américas, África, Ásia e Europa.