Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 7,5% em 2010, atingindo a cifra de R$ 3,674 trilhões, ante os R$ 3,185 trilhões do ano anterior, quando apresentou queda de -0,2%, posteriormente revista para -0,6%.

Este é o maior incremento do produto brasileiro desde 1986, ano de vigência do Plano Cruzado, no governo José Sarney (1985-1990), quando apresentou o mesmo índice de crescimento.

A principal razão de o indicador ter demonstrado tamanha robustez em 2010, pode ser a recuperação de diversas nações ao redor do globo – ainda que em compassos diferenciados – dos efeitos mais nocivos da crise econômica mundial.

Pela ótica da oferta, o PIB de 2010 apresentou crescimento nos três setores, primário, secundário e terciário.

O setor primário, que abrange a agropecuária, representou 5,77% do indicador total, atingindo R$ 180,831 bilhões.

Já a indústria, classificada como setor secundário, respondeu por 26,82% do PIB, cujos valores nominais foram de R$ 841,024 bilhões.

Por fim, o setor terciário, de comércio e serviços, cuja participação no produto interno nacional foi de 67,41% no ano passado, em termos nominais fechou em R$ 2,114 trilhões.

Somando os valores correntes dos três setores, chega-se ao montante de R$ 3,136 trilhões.

A diferença em relação ao PIB de 2010 (R$ 3,674 trilhões), de R$ 538 bilhões, recai sobre os impostos sobre produtos. 

Já quando a análise é realizada pela ótica da demanda, fica constatado crescimento real em todas as atividades em relação a 2009, como demonstrado pelo valor do consumo das famílias de R$ 2,226 trilhões no ano passado, representando 60,58% do indicador em pauta.

De forma análoga, os gastos do governo ficaram em R$ 778,013 bilhões (21,17% do PIB), enquanto o investimento público e privado somou R$ 677,862 bilhões (18,44% do PIB, sendo 13,9% originado da iniciativa privada e 4,5% do setor público).

A diferença entre exportações e importações de bens e serviços ficou deficitária em R$ 36,518 bilhões, contribuindo negativamente com 0,99% na formação do PIB, mesmo com a balança comercial apontando um superávit de mais de US$ 20 bilhões em 2010.

Isso ocorre, pois ao contrário da balança comercial que registra seus valores em dólares norte-americanos, gerando grande influência nos preços, além de considerar somente a transação de bens e não de serviços.

No PIB as transações comerciais são registradas em moeda nacional e são consideradas as variações percentuais de bens e serviços, remetendo ao seu volume.

Fechando a análise pela ótica da demanda, deve-se considerar ainda a variação do estoque, que em 2010 foi responsável por 0,8% do indicador, tendo seu valor encerrado o exercício em R$ 29,551 bilhões.           

A despeito de toda comemoração e entusiasmo que esse cenário possa trazer tal quadro não deverá se repetir esse ano.

Alguns fatores conspiram para isso. Primeiro, o PIB somente atingiu o maior crescimento dos últimos 25 anos, porque partiu de uma base muito baixa (queda de 0,6% em 2009).

Além disso, beneficiou-se de um mercado que operava com alguns incentivos fiscais lançados no auge da crise econômica – sobretudo nos primeiros meses do ano passado – como a redução ou extinção do IPI da linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de levar e secadoras) e dos automóveis.

Segundo, temendo o recrudescimento da inflação, a equipe econômica do atual governo vem lançando mão de alguns instrumentos para conter a demanda, como o corte no orçamento da União, na ordem de R$ 50 bilhões, e o constante aumento da taxa básica de juros – cujo valor já subiu três pontos percentuais desde o auge da crise, no final de 2008, até agora, indo de 8,75% para 11,75% ao ano.

Estas medidas somadas fazem com que a projeção do PIB desse ano caia, dado haver um menor volume de gastos e investimentos do governo, em relação ao originalmente previsto, além da continuidade da atração de moeda estrangeira ao Brasil, encarecendo ainda mais os bens e serviços nacionais a serem transacionados com o exterior.

Como comparação, de acordo com o último Relatório Focus do Banco Central, a previsão de incremento do PIB de 2011 é de 4,3%, pouco mais da metade do obtido no último exercício.

Espera-se que isso seja apenas uma fase de ajustamento de um período pós-crise econômica, sem a continuidade dos chamados “vôos de galinha”, mas de preparação para crescimentos anuais do produto seguros e sustentáveis.