Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech.

Quando fundei a Samba Tech, ninguém no Brasil sabia o que era uma startup. Quando decidi que o core business da empresa seria tornar-se referência em tecnologia para vídeos online, ninguém no Brasil entendia os motivos. Quando recentemente a Samba Tech ampliou seu posicionamento para permitir que as PME’s tivessem a possibilidade de trabalhar com os produtos da empresa, todo mundo me questionou se minha carteira de clientes cheia de grandes marcas já não era suficiente. 

Para explicar melhor meu comprometimento com o crescimento da empresa, vou, primeiro, resumir a história da Samba. A princípio, éramos uma empresa de games. Um dia, ao observar o mercado, percebi que existia uma lacuna para pessoas que gostariam de postar vídeos online, sem usar o Youtube, maior plataforma do segmento até então. A partir daí, criei um protótipo, apresentei para algumas empresas, que apostaram em nosso projeto e passamos a atuar com a distribuição dos materiais. 

O importante a se destacar é que para crescer, foquei em inovar em um mercado que já existia. Sempre reforço que é preciso observar os problemas que as pessoas enfrentam e, a partir daí, propor formas de solucioná-los de maneira prática. Além disso, nem sempre é preciso criar algo para se ter o conceito de inovação. Você pode, simplesmente, pegar um produto existente, melhorar e devolver ao mercado. Melhorias também são inovadoras.  

Um dia estava na sala de uma empresa de televisão e observei algumas fitas de gravação de campanhas. Perguntei o que aconteceria caso o portador perdesse as fitas e me falaram que também se perderiam todos os materiais.  Achei tudo aquilo muito retrógrado e pensei em uma forma de melhorar o processo.  Ou seja, pensei em um novo padrão de consumo ou uma tendência para um mercado que já existia. Busquei alternativas para velhos problemas e padrões. 

O fato é que inovar está intrinsecamente conectado à sobrevivência das empresas. Sou inquieto por natureza e essa inquietude é o combustível para inovação. Ser inovador não é uma questão de personalidade, é ativar a criatividade quando a lógica chegou ao seu limite. 

A “inovação nossa de cada dia” pode perfeitamente partir um novo modelo de gestão, pode fazer com que marcas se apropriem de territórios ainda não explorados ou apresentar ao mercado uma nova maneira de atendimento.Inovar não é científico e nem é técnico. Inovar é enxergar algo que ninguém viu, por mais que esteja lá. 

Pode soar estranho e até inusitado no começo, mas adquira o costume de se perguntar diariamente e questionar todos que trabalham com você o quê estão fazendo de errado e o que pode ser feito de maneira diferente. Questione processos desgastados e, se tiver uma ideia que faça mais sentido, não hesite em apresentá-la. Inovação tem que ser uma cultura da empresa e exige ação. Ideias são só ideias, que se tornam válidas quando você testa sua hipótese no mercado. 

Vivemos um período de inovações surgindo todos os dias. E cada pessoa tem potencial para criar algo, basta entender qual o momento em que a lógica se esgota e quando a criatividade precisa entrar em campo. Afinal, o que você está fazendo errado que pode fazer diferente? 

* Gustavo Caetano é CEO da Samba Tech e presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups).