A preocupação com a segurança e a confiabilidade das informações em dispositivos móveis não vem de hoje.

Prova disso é que foi tema central de eventos importantes na era digital como a Cebit 2012, considerada a maior feira de tecnologia e comunicação do mundo.

No ano passado, o foco das maiores conferências mundiais foram os tablets, notadamente iPad?, e cloud computing.

Na época,?mais de 30% do tráfego vinha de mobile.

Neste ano, o sucesso dos tablets nem mais sequer é mencionado, é uma realidade plenamente aceita. Mas estes dispositivos, junto com os iPhones, trouxeram grandes preocupações.

Embora as empresas disponibilizem a seus funcionários smartphones, normalmente o profissional prefere usar seu próprio iPhone, que é muito mais completo que o oferecido. Sem falar que ele também quer conectar-se à empresa pelo iPad.

E qual o nível de segurança que há nestes aparelhos? E se o funcionário perder o tablet, como ficam as informações? Será que está com senha? Qual nível de criptografia é utilizado para acessar documentos ou emails? A preocupação com isso é grande, há softwares para gerenciar, políticas de controle, etc.?

Uma realidade também aceita por todos, e citada pela maioria, é que as fronteiras entre o pessoal e o profissional estão se apagando – é a “consumerização” da TI.

As pessoas querem trabalhar de qualquer lugar, com os dispositivos delas, etc. Gostem ou não, a aproximação destes dois mundos é cada vez mais real.

Um dos motores de crescimento do setor mobile é a chamada computação em nuvem, através da qual empresas e empregados particulares podem reduzir sua infraestrutura para cobrir suas necessidades de rede.

Os provedores de serviços de armazenamento de dados na nuvem virtual esperam que nos próximos três anos o faturamento cresça em uma média de 37% por ano para chegar em 2015 aos US$ 18,5 bilhões.

No entanto, nessa evolução há um obstáculo, que é o problema de confiança em muitos usuários que duvidam em colocar seus dados em um espaço virtual sem estarem plenamente convencidos da segurança deste ambiente.

A maioria das empresas não contam com sistema de segurança em informática e algumas não têm a sensibilidade necessária sobre a proteção de dados.


Com a grande presença dos dispositivos móveis nas redes empresariais, o drama do firewall  aumentou. De acordo com Andy Zollo - VP da EMEA, Sonic Wall, durante a Cebit 2012, perguntas como:?onde está indo minha banda?; de onde está vindo o tráfico para o meu site?; quais são as ameaças?;?o firewall não entende streaming de vídeo ou música, há ameaça nisso?

Certamente há consumo de banda.?As empresas estão numa corrida contra as invasões de dados e voz. Exemplo disso, é que Zollo apresentou uma nova geração de firewalls que, em vez de simplesmente bloquear, funcionando como porteiro, agora identifica usuário, aplicação?; irão categorizar?e controlar.


No Brasil, sabemos que este cenário é cada vez mais problemático. São diversos os casos de serviços que ficaram fora do ar por problemas em linksde comunicação, ataques DDoS, queda da rede de dados e por aí vai. Como temos acompanhado, o desafio é gerir esta confiança.

Afinal, quem quer ver uma folha de pagamento deixar de rodar porque caiu o link de comunicação e a aplicação, hospedada em nuvem, ficou indisponível? E, somente agora, parece que  os especialistas estão tentando resolver os problemas que as inovações do ano passado causaram.


* Eduardo Fullen é sócio-diretor da Uniconsult Sistemas