Alexandre Prates é coach, especialista em desenvolvimento humano e desempenho organizacional.

Domingo, durante um jantar descontraído em família, você, seu chefe e suas respectivas esposas divertem-se como de costume. Lá no meio da noite, inevitavelmente, os assuntos profissionais se fazem presentes.

Sem nenhum compromisso vocês falam de estratégia, de pessoas, de mercado, de resultados, enfim, sempre mantendo o mesmo ponto de vista, afinal, não podemos estragar a noite com discussões desnecessárias.

Segunda-feira, vocês se reencontram e, a caminho da sala de reunião, lembram-se rapidamente dos assuntos mais interessantes do jantar. Sentam-se, encontram-se com as outras pessoas e iniciam a reunião mensal de resultados. 

Os seus resultados são apresentados e, infelizmente, estão aquém das metas estipuladas pela empresa. O seu chefe (e amigo) posiciona-se a esse respeito, trazendo à tona o que ele acredita estar comprometendo a sua atuação e ali, diante de todos, externa a sua insatisfação com o seu trabalho.

O que você sentiu nesse momento?

Essa é a pergunta. Mais importante do que saber como você reagirá é compreender o que você sentiu. Essa resposta determinará a sua maturidade. 

Você pode discordar com a posição do seu chefe e iniciar um debate. Você pode discordar e permanecer calado. Você pode concordar e admitir isso a todos. Você pode concordar, mas jamais admitir, afinal, não gosta de ser contrariado. Enfim, qualquer que seja a sua reação, não é o maior problema. Você deve ficar muito atento ao seu sentimento, isso sim pode determinar se a relação de amizade de vocês é saudável ou não.

Voltando a cena anterior, ao ser apresentado a insatisfação do seu chefe, qual foi o sentimento que te invadiu?

1. Sentimento de injustiça – Não concordou com as colocações do seu chefe. Mas não porque ele é seu amigo, e sim pois ele não analisou outras questões que interferiram nos resultados. Seu desejo: conversar em particular com ele para alinhar esses processos.

2. Sentimento de frustração – Além de chefe, vocês são amigos, logo você sente-se envergonhado, pois não queria decepcioná-lo. Você sabe que não fez a sua parte como deveria. Seu desejo: além de assumir isso publicamente, aproveitar um momento mais particular para comprometer-se com uma nova postura.

3. Sentimento de perda – Os dois anteriores, independente se você está certo ou não em suas conclusões, são naturais em qualquer relação profissional. Agora, esse sentimento de perda mostra claramente a imaturidade dessa relação. É um sentimento que não lhe permite discutir, discordar, pois o receio de perder o “amigo” é maior. 

E quando há uma discussão, você morre um pouco por dentro com a chegada do final de semana e nenhum convite para jantar lhe foi feito. O contrário também é verdadeiro. Você, por estar magoado com a posição de chefe do seu amigo, mantém uma postura distante para demonstrar o seu desagrado. Se a amizade de vocês não suporta uma discussão, então, a relação, mais cedo o mais tarde, fracassará.

Uma relação madura é aquela que permite a discordância, a discussão, o debate. E após uma intensa e desgastante reunião, saímos para almoçar e não enfraquecemos a nossa amizade. Mas é importante que vocês tenham muito claro o que verdadeiramente importa entre vocês: a amizade ou a carreira.

Se vocês conseguirem manter uma relação madura, ótimo. Se não conseguirem, é melhor se afastarem logo, afinal, ninguém consegue conviver e ser feliz com o sentimento de perda instalado.

* Alexandre Prates é coach, especialista em desenvolvimento humano e desempenho organizacional.